Reforma Tributária: o risco está na cadeia de fornecedores

Reforma Tributária: o risco está na cadeia de fornecedores
A menos de três meses do início da cobrança da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), prevista para 1º de janeiro de 2027, a preparação das empresas avança em ritmos diferentes. Em coluna da jornalista Lu Aiko Otta no Valor Econômico, publicada em 7 de outubro, o presidente do Comitê Tributário Brasileiro (CTB), Adriano Subirá, chamou atenção para um ponto que costuma ficar fora do radar: a adequação de toda a cadeia de fornecedores, e não só das grandes empresas.
Grandes empresas prontas, fornecedores nem tanto
Segundo Subirá, as grandes empresas já estão preparadas para operar no novo sistema. O problema é que seus fornecedores ainda não estão.
Os dados da Receita Federal ajudam a dimensionar esse cenário. No painel de acompanhamento do Registro de Operações de Consumo (ROC), 72,4% dos 5,17 bilhões de documentos fiscais emitidos nos 30 dias até 6 de outubro de 2026 já trazem destaque de CBS. Os outros 27,6% ainda não trazem.

Painel ROC — Receita Federal.
Do fornecedor à linha de produção
Para o presidente do CTB, uma empresa preparada não está protegida se quem a abastece não estiver. “Se eu não consigo emitir uma nota fiscal, não consigo enviar insumos e, então, posso ter de paralisar uma linha de produção”, afirmou Subirá ao Valor.
A coluna aponta que esse tipo de falha pode gerar um efeito dominó em toda a economia: a dificuldade de um fornecedor se transmite a quem depende de seus insumos e, daí, ao restante da cadeia.
Um esforço coletivo
Subirá descreve a transição como um ambiente cooperativo. “É um ambiente cooperativo: se todos se adaptarem juntos, todos ganham, mas se alguém ficar para trás, todos perdem.”
Com a reta final da implementação, a preparação para a reforma deixa de ser uma tarefa interna de cada empresa e passa a envolver toda a cadeia com a qual ela se relaciona.
Fonte: Valor Econômico | Lu Aiko Otta
Dados: Receita Federal, painel ROC (30 dias até 06/10/2026)