CTB no debate do Tax Finance Summit 2026

O Tax Finance Summit 2026 reuniu líderes das áreas tributária, financeira e jurídica de grandes empresas para discutir os impactos práticos da Reforma Tributária, com foco na necessidade de integração entre áreas diante de mudanças que já afetam operação, caixa e estratégia das organizações.

Durante o evento, o presidente do Comitê Tributário Brasileiro (CTB), Dr. Adriano Subirá, destacou que tratar a Reforma como responsabilidade isolada de um único setor ainda é um dos principais entraves para a adaptação das empresas ao novo sistema.

O encontro contou com a participação de executivos de companhias como Mercedes-Benz, Siemens Healthineers e Ipiranga, que compartilharam desafios e perspectivas sobre a transição tributária brasileira.

As discussões foram além da interpretação da norma e avançaram sobre os efeitos concretos da Reforma no dia a dia das empresas, incluindo impactos em fluxo de caixa, margem, precificação e estrutura operacional.

No painel “Tax como Área de Resultado: Planejamento, Oportunidades e Impacto no Caixa”, o Dr. Adriano Subirá, Presidente do CTB, debateu ao lado de Ricardo Querido, Gerente Jurídico Tributário do GRUPO SBF, Rogério Isidro, Gerente Jurídico e Tributário na Bombril, com moderação de Cleber Monteiro Teixeira, Head of Tax da bp bioenergy.

A discussão reforçou o papel estratégico da área tributária na geração de valor, especialmente em um cenário de transição que exige leitura integrada entre planejamento, execução e impacto financeiro.

A análise apresentada pelo CTB reforçou que a complexidade do novo modelo tributário exige uma abordagem integrada. A Reforma altera a lógica de apuração e aproveitamento de créditos, interfere diretamente no planejamento financeiro e demanda revisão de processos internos.

Nesse cenário, a atuação isolada de áreas como jurídico ou fiscal tende a limitar a capacidade de resposta das organizações.

Empresas ainda estão no início da adaptação

Dados apresentados no debate indicam que mais de 70% das empresas brasileiras ainda estão em estágio inicial de adaptação à Reforma Tributária. O número reflete não apenas o ritmo de implementação, mas também a dificuldade de internalizar a profundidade das mudanças propostas.

A transição para tributos como IBS e CBS reposiciona o tema tributário dentro das empresas, exigindo coordenação entre contabilidade, finanças, jurídico e operação. Essa integração passa a ser condição para garantir não só conformidade, mas também eficiência e sustentabilidade das decisões estratégicas ao longo do período de transição.

Para o CTB, a participação em fóruns como o Tax Finance Summit contribui para ampliar a qualidade do debate e aproximar diferentes áreas envolvidas na implementação da Reforma. A entidade defende que o novo sistema tributário deve ser discutido de forma transversal, envolvendo profissionais de diferentes frentes e conectando aspectos técnicos à realidade operacional das empresas.

A discussão reforça que a construção de um sistema tributário mais eficiente não depende apenas da legislação, mas da capacidade dos agentes econômicos de interpretar e aplicar suas regras de forma coordenada.


Fotos: Thiago Jardim